O ocaso inevitável de uma legenda que perdeu o rumo
O PSDB já foi sinônimo de estabilidade e privatizações na década de 1990. Era o partido que prometia modernizar o Brasil sem romper com o establishment. Mas o tempo mostrou o preço dessa tibieza: em vez de avançar para reformas estruturais de verdade, os tucanos se acomodaram no conforto do centrão, flertaram com agendas identitárias que o eleitor médio rejeita e se tornaram especialistas em alianças que garantem sobrevida, nunca transformação. O resultado está aí: uma legenda que já governou São Paulo por quase 30 anos consecutivos hoje sobrevive com dois deputados e discursos que ninguém mais escuta.
A migração em massa não foi acidente. Foi consequência natural de um partido que deixou de representar qualquer coisa concreta. Quando você perde a clareza ideológica, vira presa fácil para quem tem projeto, estrutura e — principalmente — vagas no governo. O PSDB paulista se tornou um museu de figuras do passado que ainda têm nome nas urnas, mas zero tração para o futuro. E museus, por mais respeitáveis que sejam, não governam.
A astúcia de Kassab e o pragmatismo que a direita precisa
Enquanto os tucanos choram “canibalismo” e “desrespeito”, Gilberto Kassab age como quem entende a política brasileira do século XXI: quem fica parado vira decoração. O presidente do PSD não está apenas aumentando sua bancada de quatro para onze deputados na Alesp. Ele está consolidando um bloco parlamentar alinhado ao governador Tarcísio de Freitas, que hoje representa o projeto mais concreto de direita administrativa e econômica no maior estado do país.
Kassab não perde tempo com saudosismo. Ele oferece o que o político médio mais deseja: oxigênio para sobreviver eleitoralmente, acesso a palanques fortes e — o mais importante — proximidade com quem manda hoje em São Paulo. Em troca, ganha quadros experientes que conhecem o Orçamento, as comissões e os corredores do poder legislativo. É uma troca fria, racional e extremamente eficaz. Enquanto o PSDB se dedica a lamentações histéricas, o PSD cresce e se posiciona como peça-chave no tabuleiro governista de direita.
O sarcasmo da situação é delicioso: o partido que se dizia “de centro” e “moderno” foi devorado por uma sigla que, na prática, entrega mais resultados para a agenda liberal-conservadora do que os próprios tucanos jamais entregaram nos últimos 15 anos. Quem diria que o fim do tucanato viria pelas mãos de um ex-prefeito do DEM que virou articulador implacável?
Lições para a direita brasileira: unidade ou extinção
O caso paulista é espelho do que acontece em escala nacional. A direita brasileira segue fragmentada porque boa parte de suas siglas ainda se apega a rótulos históricos em vez de se unir em torno de objetivos claros: menos impostos, menos regulação, menos aparelhamento estatal, mais liberdade econômica e mais segurança pública. Enquanto isso, o outro lado entende perfeitamente que o poder se concentra — e quem não concentra, desaparece.
Por que tantas legendas “de direita” ou “de centro-direita” preferem manter sua plaquinha individual em vez de se fundir em torno de um projeto vencedor? Medo de perder identidade? Vaidade de dirigentes? Ou simplesmente o vício de viver de fundo partidário e cargos comissionados? Seja qual for a resposta, o resultado é o mesmo: enfraquecimento progressivo e irrelevância crescente.
A movimentação de Kassab mostra o caminho oposto: atrair quadros, concentrar força, alinhar-se a quem efetivamente governa com resultados. Não é bonito, não é romântico, mas funciona. E, no Brasil de 2026, funcionar é o que separa quem influencia de quem vira nota de rodapé.
Conclusão
O PSDB moribundo não é apenas o fim de uma sigla. É o sintoma de um mal maior: partidos que existem para se perpetuar, não para transformar. A verdadeira direita avança quando abandona o saudosismo, para de chorar traições e começa a premiar quem entrega resultados concretos — redução do tamanho do Estado, desburocratização, segurança, ordem. Liberdade não nasce de legendas com 35 anos de história. Nasce de quem tem coragem de reduzir o peso do governo sobre a vida das pessoas comuns.
Enquanto os últimos tucanos contam os dois deputados que sobraram, Kassab já está pensando na próxima janela. E o eleitor que quer menos Brasília na sua vida agradece.