CDIN001

Jerônimo e o “Ninguém Sabe”: A Arte de Desconhecer o Inconhecível

Vorcaro, Banco Master e Jerônimo: governador minimiza rombo bilionário com "ninguém sabe". Escândalo expõe PT?
107784

Resumo

O Truque Clássico da Desinformação Seletiva

Quando um político diz que “ninguém sabe”, geralmente quer dizer que ele preferiria que ninguém soubesse. A declaração de Jerônimo não foi lapso; foi estratégia. Reduzir Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a um desconhecido anônimo serve para despersonalizar o escândalo e, de quebra, desviar o foco do que realmente importa: o uso de recursos públicos em instituições que desabaram em fraudes e calotes. Enquanto o governador ensaia amnésia seletiva, milhares de servidores baianos sentem no contracheque o preço da “desconhecida” confiança depositada no banco.

A tática é velha como a política brasileira. Primeiro nega-se conhecimento. Depois, quando as provas se acumulam, passa-se à fase de “erros isolados” e “responsabilidade compartilhada”. No fim, ninguém paga a conta — exceto o contribuinte, sempre ele.

Quando o Desconhecido Tem Nome, Endereço e Reuniões no Planalto

O curioso é que Vorcaro não era exatamente um fantasma. Ele frequentava gabinetes, participava de eventos, conversava com gente importante. Inclusive com o presidente da República. Fotos existem. Agendas também. Aliados do PT ocuparam cargos estratégicos na Bahia durante o período em que o Banco Master captava recursos de regimes próprios de previdência. Mas, segundo o governador, ninguém sabia de nada. É o tipo de ignorância que só floresce em ambiente de muito poder e pouca accountability.

Imagine se o caso fosse inverso. Se um banqueiro ligado a figuras do PL ou do bolsonarismo evaporasse R$ 1,4 bilhão de aposentadorias, a gritaria seria ensurdecedora. CPI, manchetes diárias, pedidos de prisão em regime fechado. Mas quando o rastro leva a aliados do governo, o silêncio vira doutrina oficial e o “ninguém sabe” vira mantra.

O Prejuízo que Todo Mundo Conhece: R$ 1,4 Bilhão Evaporados

O rombo não é abstrato. São recursos de regimes de previdência complementar de servidores públicos que foram aplicados — ou “captados”, como dizem os eufemismos — em um banco que o Banco Central acabou liquidando extrajudicialmente. Dinheiro que deveria garantir aposentadorias dignas virou fumaça. E quem paga a diferença? O mesmo contribuinte que já banca o rombo da previdência geral.

Aqui entra a lição mais dura: o Estado é péssimo guardião de recursos alheios. Quando políticos decidem onde o dinheiro do povo deve ser aplicado, o resultado quase sempre é o mesmo: concentração de risco, favorecimento de amigos, prejuízo socializado. O mercado livre, com escolha individual e responsabilidade pessoal, jamais permitiria tamanho descalabro sem que os responsáveis quebrassem de verdade.

O Estado como Parceiro Perfeito do Esquema

O Banco Master não surgiu do nada. Ele se beneficiou de um ecossistema generoso: consignados garantidos pelo Estado, convênios com entes públicos, licitações amistosas. Tudo isso sob o olhar complacente de quem deveria fiscalizar. O intervencionismo estatal não apenas permite esses conluios — ele os incentiva. Quanto maior o Estado, maior o espaço para conchavos. Quanto mais centralizado o poder, mais fácil desviar recursos sem deixar rastro visível.

Enquanto isso, o cidadão comum segue pagando impostos altos para sustentar uma máquina que, em vez de proteger, expõe. A solução não está em mais regulação, mais conselhos, mais ministérios. Está na redução drástica do tamanho e do alcance do Estado. Devolver ao indivíduo o controle sobre seu dinheiro, sua aposentadoria, sua vida. Porque, no final das contas, o “ninguém” que não sabe é exatamente quem mais sofre: o contribuinte que sustenta o circo.

Conclusão

O caso Banco Master não é exceção; é sintoma. Sintoma de um modelo em que o poder político se confunde com o poder econômico, em que o dinheiro público vira moeda de troca e em que a frase “ninguém sabe” serve de escudo para quem sabe muito bem o que está acontecendo. A saída não está em esperar que a próxima CPI ou o próximo ministro resolva tudo. Está em desmontar, peça por peça, a estrutura que permite esses abusos. Menos Estado, mais liberdade. Menos Brasília decidindo pelo povo, mais pessoas decidindo por si mesmas. Porque, no fundo, o maior escândalo não é o rombo de R$ 1,4 bilhão. É continuarmos aceitando que o mesmo sistema que o produziu continue no comando.

Confira o vídeo.

Tags:
Veja também: