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Cuba sem asas: o socialismo que nem voar deixa

Cuba, socialismo, combustível
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Resumo

O colapso anunciado – quando o Estado monopoliza tudo

Não houve guerra, terremoto ou embargo repentino. O que houve foi a consequência previsível de um modelo que concentra na burocracia central todas as decisões sobre produção, importação, distribuição e preço. Cuba não tem refinarias capazes de produzir Jet A-1 em quantidade suficiente. Depende de petróleo venezuelano que já escasseia, de fornecedores russos que cobram caro e de acordos opacos com quem ainda topa negociar com Havana. Quando um elo da cadeia falha — e falha sempre —, o sistema inteiro desaba.

O curioso é que o regime ainda consegue se surpreender com o próprio fracasso. Décadas de planejamento centralizado, nacionalizações totais, proibição de iniciativa privada relevante e o resultado é sempre o mesmo: filas para pão, blecautes programados, racionamento de remédios e, agora, até o turismo — última tábua de salvação — paralisado. Quem acreditou que o Estado onipotente seria mais eficiente que milhões de indivíduos decidindo livremente já deveria ter percebido o erro há muito tempo.

A farsa do “bloqueio” como bode expiatório eterno

Todo colapso vem acompanhado do mesmo refrão: “é culpa do bloqueio americano”. Conveniente, não? O embargo existe desde os anos 1960, mas curiosamente Cuba conseguiu importar petróleo, trigo, remédios e até aviões quando quis. O que mudou recentemente foi a pressão renovada dos Estados Unidos sobre a Venezuela — principal fornecedora — e o aviso de tarifas a quem continuasse a fazer negócios com o regime. Medidas duras? Sim. Mas o verdadeiro problema não está em Washington: está em Havana.

Países sob sanções bem mais severas — Irã, Coreia do Norte, Venezuela — encontram formas de contornar restrições quando há interesse econômico real. Cuba não. Porque o regime prefere manter o monopólio estatal a permitir que cubanos comuns importem, exportem, refinem ou negociem combustível por conta própria. O “bloqueio” serve de escudo perfeito para esconder a incompetência estrutural. Enquanto isso, o povo paga a conta com mais miséria.

Turismo zero, pobreza 100% – o preço da “igualdade”

O turismo responde por cerca de 10% do PIB cubano e quase toda a entrada de moeda forte. É o oxigênio que mantém o regime respirando. Sem voos regulares de longa distância, os resorts de Varadero e Cayo Coco viram cidades-fantasma. Milhares de trabalhadores — camareiras, cozinheiros, guias — ficam sem renda. Os poucos turistas que chegam por rotas alternativas enfrentam hotéis sem energia confiável, filas para comida e a sensação de estar preso numa armadilha tropical.

Ironicamente, o discurso oficial sempre vendeu a “igualdade” como conquista suprema. Mas igualdade de quê? De todos ficarem pobres juntos? De ninguém poder empreender sem permissão? De depender de remessas de parentes no exterior para sobreviver? O turismo, que poderia ser motor de prosperidade individual, foi estatizado, regulado e sufocado até virar refém de decisões tomadas numa sala em Havana. Resultado: quando o sistema falha, ninguém escapa.

Lições para o Brasil – não copie o manual do fracasso

O leitor brasileiro talvez ache que isso está muito longe. Não está. Temos aqui a mesma tentação: acreditar que mais regulação, mais subsídios cruzados, mais estatais “estratégicas” e mais controle de preços vão gerar prosperidade. A Petrobras continua sendo usada como instrumento de política social em vez de empresa eficiente. A energia tem preço regulado artificialmente, gerando distorções. E setores inteiros — do transporte ao agro — convivem com uma teia de autorizações, licenças e interferências que sufocam a iniciativa privada.

Cuba é o espelho torto do que acontece quando o Estado vira protagonista absoluto da economia. O Brasil ainda não chegou lá — graças, em grande parte, à resistência de milhões de empreendedores que driblam a burocracia todos os dias. Mas o caminho é o mesmo: quanto mais poder se concentra em Brasília, mais dependência se cria, mais corrupção se alimenta e mais vulnerabilidade se acumula. A ilha caribenha não é vítima do “imperialismo”; é vítima da ilusão de que o controle central resolve problemas melhor que a liberdade.

Conclusão

Cuba hoje não consegue nem fazer um avião pousar com segurança. Não por falta de petróleo no planeta, mas por falta de liberdade para produzi-lo, comprá-lo ou transportá-lo sem passar por uma mesa de burocratas. Enquanto uns aqui ainda romantizam o modelo, a realidade grita: o socialismo não falha por acaso, falha por essência. Ele promete igualdade e entrega miséria coletiva; anuncia soberania e entrega mendicância internacional.

A lição é simples e cruel: quem entrega ao Estado o monopólio da vida econômica acaba sem asas — literalmente. Cabe ao brasileiro decidir se quer seguir pelo mesmo caminho ou escolher, de uma vez por todas, a responsabilidade individual, o mercado aberto e a liberdade de empreender. Porque, no fim das contas, nação que não deixa seu povo voar acaba ficando no chão. E bem no chão.

Confira o vídeo.

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