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O Rombo do BRB: Quando o Estado Joga com o Dinheiro Alheio

BRB enfrenta rombo de R$ 5 bi e prazo do Banco Central para recompor patrimônio. Saiba os detalhes da crise.
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Resumo

O Banco de Brasília acaba de receber um ultimato do Banco Central: até o fim da semana, apresente um plano crível para tapar um buraco de pelo menos R$ 5 bilhões no patrimônio. Pode ser mais. Muito mais. Enquanto isso, o contribuinte assiste, de carteira aberta, ao espetáculo previsível de mais um banco público afundando em má gestão, decisões políticas e uma dose generosa de irresponsabilidade. Não é novidade. É rotina. E a conta, como sempre, sobra para quem efetivamente trabalha e paga impostos.

A conta chega: R$ 5 bilhões e contando

O rombo não surgiu do nada. Ele foi construído com calma, tijolo por tijolo, ao longo de anos de exposição excessiva a operações duvidosas, provisões insuficientes e aquela clássica confiança cega de que “o governo está por trás, então não quebra”. O Banco Central, depois de longa fiscalização, mandou provisionar R$ 2,6 bilhões já em janeiro. Não bastou. O buraco engoliu mais do que o esperado e agora ameaça engolir muito além disso. O BRB tem até poucos dias para mostrar como vai recompor o patrimônio — ou enfrentar intervenção, venda forçada ou, o mais provável, mais uma injeção de dinheiro público disfarçada de “fortalecimento do sistema”.

Traduzindo para a linguagem que o brasileiro entende: mais impostos, mais dívida, menos sobra no bolso de quem sustenta o circo. E tudo isso em um banco que, teoricamente, existe para “servir ao desenvolvimento do Distrito Federal”. Servir a quem, exatamente?

A ilusão da competência estatal

Bancos públicos não quebram por acaso. Eles quebram porque operam sob regras diferentes das do mercado. Não precisam prestar contas reais aos acionistas que podem tirar o dinheiro da mesa. Prestam contas a políticos, a aliados, a interesses de curto prazo. Decisões são tomadas com base em conveniências eleitorais, não em análise de risco. O resultado é sempre o mesmo: carteiras inchadas de crédito podre, garantias fictícias e balanços maquiados até o dia em que o fiscal do Banco Central bate na porta.

O setor privado comete erros? Comete. Mas quando erra feio, o mercado cobra rápido: perde clientes, perde capital, some do mapa ou é comprado por quem sabe gerir. No Estado, o erro vira “problema sistêmico” e a solução é sempre a mesma: mais dinheiro do contribuinte. É um seguro contra incompetência — pago por quem nunca pediu para segurar ninguém.

Por que ninguém aprende?

Porque aprender exigiria admitir que o modelo está falido. Exigiria abrir mão do poder de distribuir favores, de manter cabides de emprego, de financiar campanhas disfarçadas de “política de crédito”. Enquanto houver recursos alheios para tapar buracos, ninguém tem incentivo real para mudar. O BRB é apenas o capítulo mais recente de uma novela que já teve Banco do Brasil, Caixa, Banespa, Banestado e tantos outros. O roteiro é sempre igual. Só mudam os nomes e os zeros à direita.

Quem paga a conta? O ciclo vicioso do intervencionismo

Se o BRB não conseguir recompor o patrimônio sozinho — e as chances são mínimas —, duas saídas restam: intervenção com aporte público ou venda a preço de banana. Ambas custam caro ao contribuinte. No primeiro caso, direto: mais emissão de dívida ou desvio de orçamento. No segundo, indireto: o prejuízo acumulado vira perda fiscal que alguém terá de cobrir. Enquanto isso, a economia real do Distrito Federal sofre os efeitos colaterais: crédito mais caro, confiança abalada, desconfiança geral no sistema.

E o mais trágico: o cidadão comum, que nunca pediu banco estatal, acaba financiando a própria desgraça. Paga para manter de pé uma máquina que, em teoria, existe para protegê-lo. É o intervencionismo em sua forma mais cínica: o Estado cria o problema e depois se apresenta como salvador — cobrando a salvação com o dinheiro da vítima.

A solução que ninguém em Brasília quer ouvir

A saída óbvia — e por isso mesmo inaceitável para a classe política — é simples: tirar o Estado do negócio bancário. Privatizar o que der, extinguir o que não der. Deixar que o mercado decida quem sobrevive e quem desaparece. Sem muleta estatal, sem garantia implícita, sem conta para o contribuinte. Bancos deixariam de ser instrumentos de política e voltariam a ser empresas: ou gerem bem o dinheiro dos depositantes, ou quebram. Ponto.

Claro que isso exigiria coragem. Exigiria abrir mão do controle, do clientelismo, do poder de nomear diretores e distribuir benesses. Por isso mesmo nunca acontece. Enquanto o prejuízo for socializado e o benefício privatizado, o ciclo continuará girando. E o próximo rombo já está sendo preparado em alguma sala de reunião em Brasília.

Conclusão

O caso do BRB não é acidente. É consequência previsível de um modelo que confunde poder com competência e dinheiro público com dinheiro infinito. Enquanto continuarmos aceitando que o Estado jogue com o nosso dinheiro sem risco real de falir, os rombos vão se repetir — maiores, mais frequentes, mais caros. A verdadeira reforma não está em “fortalecer” bancos públicos. Está em deixá-los morrer quando falharem. Só assim o cidadão deixa de ser refém e começa a ser dono do próprio dinheiro. Até lá, prepare a carteira. A próxima fatura já está vindo.

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